quarta-feira, 17 de setembro de 2014

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Para onde vai o amor?

[ Ou o que eu poderia (queria) ter escrito ]

Quando deixo de amar, não fico aliviado, eu fico triste. Porque é se despedir de uma grande parte da própria vida, é se desapegar de um sentimento que julgava único.

É triste deixar de amar. Profundamente triste. É sacrificar a personalidade, é nunca mais usar um jeito de reagir e de falar, nunca mais usar um jeito de beijar e de abraçar, nunca mais usar um jeito de transar e ser feliz.

Passo a pensar: onde foi parar todo aquele amor? Onde é que ele se escondeu? Será que desapareceu ou apenas está dormindo?

Será que terminou mesmo ou é fingimento para suportar a falta? Será que minto para mim para não sofrer tanto?

Será que o amor é um segredo disfarçado de fim? Será que a minha solidão agora é soberba? Será que meu contentamento é uma cilada? Será que me embriaguei de palavras e esqueci o caminho de volta?

Onde estão aquelas declarações apaixonadas? Em que parte distante de mim, já que não sobem mais aos olhos?

Para onde foram a algazarra da convivência, os passeios, as viagens, as mãos dadas, os risos, a cumplicidade das festas, as brincadeiras, o sono de conchinha, as conversas até tarde?

Para onde foram a ansiedade, o ciúme, a saudade, o desespero de não ver mais, as implicâncias ruidosas, as concordâncias silenciosas?

Para onde vai o amor após sumirem as fotos, os quadros, as mensagens de texto, os bilhetes de flores?

Quando não há mais dor para sinalizar onde se mantinha o amor. Quando não há mais desespero para apontar onde se guardava o amor. Quando não restam lápide, campa, cicatriz, rua, aliança para ostentar sua lembrança.

Em que parada de Porto Alegre desembarca a comoção perdida? Qual a estação em que o amor acena e evapora? Que planeta, que dimensão, que oceano?

Ou ele se transforma numa mania nova, num modo de suspirar, de virar o rosto, de mexer as orelhas?

Ou ele se converte em cinismo religioso, em maldade com os palhaços, em ironia com noivos, em raiva de qualquer save the date dos amigos?

Para onde vai o amor depois do amor? Me fale, por favor. As lágrimas, quando secam, permanecem eternamente na pele? Não sei. Mas meu rosto está cada vez mais salgado.

Fabricio Carpinejar

sábado, 13 de setembro de 2014

Matéria-prima


Amor, então também, acaba?
Não, que eu saiba.
O que eu sei é que se transforma
Numa matéria-prima
Que a vida se encarrega
de transformar em raiva.
Ou em rima.

Paulo Leminski

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Foi só o tempo que mudou


A gente tinha tanta sorte
Podíamos desafiar até a morte 

Era só darmos as mãos
E passávamos por tudo sem sofrer um arranhão

Sua alegria era a minha
E vice-versa

No mundo não existia
Outro casal tão feliz

Mas quis o destino que o passado virasse nosso verbo
Deixando nosso 'para sempre' com cara de pretérito

E nosso amor foi lindo porque não acabou
Foi só o tempo verbal que mudou

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Desativar conta...


"Esperamos que você volte em breve!"

Foi assim que o Facebook e eu nos despedimos. Daremos um tempo. Talvez eu volte hoje à noite, amanhã pela manhã ou somente ano que vem. Por agora, que é o que importa, recados e afins somente por e-mail, twitter, viber ou whatsapp. (É muita opção ainda, opa!)