quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Janaína

Sempre distraída, não entendi a princípio o que queria a mulher que me parou na esquina do Paço. Pedi que repetisse e me desculpasse porque ainda precisei que contasse pela terceira vez a história desde o começo.

A moça que tinha o aspecto cansado e carregava uma criança adormecida no colo, contou que era do artesanato e pedia, por gentileza, que eu 'inteirasse' a grana pra sopa e em agradecimento me daria um presente.

Eu sorri pelo jeito delicado que me abordou e perguntei quanto custava a sopa. Ao me contar o valor, procurei as moedas que carregava no bolso e estendi a mão com os dois reais e cinquenta que tinha trocado. Ela deu um riso aliviado, como se agradecesse ao universo em pensamento.

Em seguida perguntou meu nome e me disse se chamar Janaína, munida com alicate e pedaços de arame prateado, era tão ágil que só pude ver o presente quando ela o deixou em minhas mãos. Um anel. Com a forma de uma estrela de cinco pontas em um lado e do outro um sol. Achei simpático.

Agradecemos e saímos contentes, uma para cada lado como as estrelas que ela fez no anel.

Janaína não sabe, mas não saio de casa com moedas no bolso. Não sabe ainda que troquei o local da janta e que somente por isso eu a encontrei no caminho. Não sabe também que me fez um bem danado esse encontro inusitado.


3 comentários:

Retrato em Branco e Preto disse...

E como é bom mudar o caminho. Sair do óbvio é criar novas possibilidades.

Um beijo!

Lulu on the sky disse...

às vezes eu costumo ajudar as pessoas na rua, quando eu faço sinto aliviada.
Big Beijos

Mila disse...

Minha mãe já ganhou um anel parecido com esse feito por um casal de hippies que andava pela cidade onde ela mora. Pediram uma ajuda pra comprar um lanche, ela ajudou e eles fizeram um anel fofo que, como ela não pode usar, acabou vindo parar no meu dedo. rs